Transgressão

Dom Stavale
3 min readMay 21, 2021

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Infelizmente hoje em dia percebo que a maior parte das pessoas não querem nada com nada, não querem saber de regras, de seguir ritos ou protocolos.
Isso de forma geral, em qualquer aspecto da vida.
Vivemos um momento onde, cada vez mais, o fora de regra vira normal e aquilo que é marginal vira idolatria.
E no BDSM não é diferente.
Quantas e quantas pessoas vejo entrando no meio, sem sequer saberem em que gaveta guardam as calcinhas ou cuecas.
Não no sentido de se descobrirem, mas sim, com a ideia de que o oba oba e a sexualização do meio são muito legais.
Quando dão de cara com a liturgia, percebendo que as bases, regras e protocolos foram criados para serem seguidos, na intenção de se evitarem os abusos, para chegar a desilusão é um pulo e ai, geralmente escolhem um de dois caminhos.
Ou saem por aí falando que o meio é uma porcaria, ou simplesmente tentam mudar estas regras, bases e protocolos, que aqui chamamos de liturgia, querendo que o meio se enquadre a eles, dentro da sua visão.
Hoje em dia tudo que é transgressão é interessante, quanto mais importuno, fora do bom senso e for da lei for, melhor, no entanto, quando a própria transgressão na visão da sociedade, tem suas regras, bases e protocolos, a coisa muda de figura e somos taxados de hipócritas ignorantes que não aceitam mudanças.
Aceito mudanças e acho que devem sim serem discutidas, no entanto, mudanças que abram margem para comportamentos abusivos, independente de quais sejam, aí já não acho válido.
Mas Stavale, o que é abusivo para você pode não ser para o amiguinho.
Ok.

Então vou deixar de forma mais clara, se causa danos permanentes física ou psicologicamente, aos envolvidos ou em alguém no entorno destes, na minha opinião está errado.
Seu direito acaba quando começa o do outro.
Direitos, está ai uma palavra cada vez menos vista no BDSM, uma vez que alguns pregam que bottoms não tem direitos.
Como se a vida do suposto praticante que está fazendo algo errado me importasse, e não a questão de que, com aquele tipo de comportamento ele está destruindo tudo pelo que milhares de pessoas lutaram para criar.
Outro dia, o Doutor Piti me procurou e disse que sou uma pessoa tóxica para o meio, uma vez que prego um discurso de ódio.
Lembro que demorei bastante para lhe responder, mas quando o fiz, fiz com propriedade.
Simplesmente deixei claro que se for discurso de ódio, abrir os olhos de quem chega, para os abusos, os absurdos que são falados, os abusadores, os que criam fantasias que de BDSM não tem nada, aqueles que ao invés de colaborarem com um BDSM mais condizente com as regras que foram criadas, então sim, sou tóxico.
Denuncio, brigo pelo que penso e exponho a verdade.
Talvez não da maneira como eu gostaria, mas é algo que faço.
Estou sempre aberto a discussões inteligentes e pontos de vista diferentes, mas não me venham como alguns fazem, com falta de educação e de postura.
Lembro com na época ele se surpreendeu com a resposta e disse que era uma visão bem diferente daquela que ele tinha de mim, pois veio com quatro pedras e voltou com flores e inteligência.
Infelizmente ele foi influenciado por outras pessoas e acabou por seguir um caminho que eles consideram mais correto, onde devem leiloar sessões, dar entrevistas falando absurdos e o pior, nem sabem o significado do acrônimo BDSM.
Mas isso é outro papo.
Espero ter ajudado.
Beijos e abraços.
Dom Stavale
#domstavale

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Dom Stavale
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Written by Dom Stavale

Dominador, com a intenção de desmistificar e explicar sobre BDSM, através dos conceitos adquiridos com estudos e vivências.

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